Vários temas de budismo

O Sr. Ego T1 ep.6 – Malmequer, bem-me-quer…

Amor é uma palavra enorme: cabem lá dentro sentimentos diversos e contraditórios que parecem excluir-se mutuamente. Por amor dá-se a vida, salva-se, acarinha-se, protege-se e (alegadamente) também por amor mata-se, condena-se, rejeita-se e ataca-se. Parece até – e vejam a contradição! – que mais depressa queremos bem a quem mal conhecemos do que àqueles que nos estão ligados por laços mais estreitos. Porque será?

O que é importante?

Renúncia é uma palavra que ninguém gosta de ouvir. Cheira assim a coisa fora de moda, a convento, a celibato forçado… Mesmo no contexto budista, sugere a ideia de abandonar tudo, deixar para trás prazeres, amigos, bens e ir enfiar-se num sítio solitário, viver com o mínimo, privar-se de tudo. E para quê?

Tiro no pé

Sair da negatividade não é fácil. Na realidade, é um círculo vicioso. As experiências negativas geram expectativas negativas, as quais, por sua vez, condicionam-nos para interpretar negativamente as novas experiências. E, quando elas surgem, saímos delas reforçados na nossa maneira negativa de vermos o mundo, pensando: “Eu já sabia que isto ia acontecer!”

O carácter inevitável do sofrimento

Não sei se são como eu, mas quando oiço falar do carácter inevitável do sofrimento fico sempre um pouco desconfortável. Apesar de conviver com os ensinamentos budistas há cerca de 38 anos e de ter ouvido, reflectido e até ensinado as quatro nobres verdades vezes sem conta, provavelmente a sua realidade ainda não deve ter penetrado em mim como era suposto.

A força do altruísmo

Num mundo em que o individualismo tem ganho terreno ano após ano, tudo que nos nos liga uns aos outros tem desaparecido. Já sem falar do modo de vida tribal – que foi o nosso durante milhões de anos – e onde a cooperação era fundamental para a sobrevivência, tínhamos, no nosso passado recente, a comunidade do bairro, da aldeia, ou mesmo da pequena vila onde as pessoas se conheciam e onde, em muitos casos, prevalecia a troca de serviços ou de “favores”.

Estado natural do espírito

Há várias teorias acerca da natureza humana. Certas filosofias ou religiões dizem que o ser humano é mau por natureza, que tem um defeito de fabrico, um pecado original e que, mesmo que possa, de vez em quando, ter atitudes altruístas, lá no fundo é um egoísta compulsivo roído pelas paixões mais destrutivas e capaz dos piores actos.