Ser ou ter?

Para muitos de nós ser é ter. A identificação do ego estende-se do “eu” ao “meu” e faz com que dinheiro, casas, carros, gadgets, roupa e uma infinidade de coisas pareçam acrescentar solidez e prestígio ao “eu”. Mas, como a sede de solidificação do ego é inextinguível, ele está sempre em busca de novas identificações e sempre a tentar preencher o vazio existencial a que deu origem.

Somos amor

Quando perdemos alguma coisa ou alguém que eram importantes para nós, sentimos o vazio deixado pela perda. Achamos, claro, que se trata de uma consequência natural e não nos questionamos mais. Mas, se pensarmos melhor, uma vez que o que perdemos não faz parte de nós, não nasceu connosco

Somos crustáceos

Muitas pessoas dizem-se “sensíveis” quando, na realidade são apenas suscetíveis. Qual a diferença? A suscetibilidade é uma hiper-reatividade a tudo o que tenha, ou pareça ter, a ver connosco. Uma pessoa suscetível reage à mais pequena coisa, quer lhe seja dirigida ou não, fazendo um drama de coisas sem qualquer importância.

A culpa é sempre dos outros

Se pensar em todos os conflitos e problemas relacionais da sua vida é provável que, numa grande percentagem, os atribua às atitudes erradas dos outros. Quando estamos sob o domínio do ego não nos conseguimos enxergar. Por isso, se conseguir admitir que tenha também alguma responsabilidade, é sinal de que começa a ganhar consciência.

Sr. Ego – T3 ep 6 – Quem não sente não é filho de boa gente

Se há coisa que o Sr. Ego detesta é sentir-se vulnerável. Vulnerável é o mesmo, para ele, do que fraco, exposto, passível de ser humilhado a qualquer momento. Ele que se abotoa de sobretudos desnecessários e armaduras enferrujadas e quer – sempre – ter razão e levar a melhor, não suporta abrir mão da sua parafernália e sentir aquele ponto sensível, quase doloroso, bem no centro do coração.

Sr. Ego T3 ep.1 – O coração fala mais alto

Ouve-se cada vez mais falar de neuro-ciências e das novas descobertas a nível dos efeitos quase milagrosos da meditação. Imagens de monges budistas (por exemplo, Matthieu Ricard e Mingyur Rinpoche) em meditação com as cabeças cobertas de censores já nos são familiares. A neuro plasticidade do cérebro e a possibilidade de alterar as conexões neuronais expressam-se no título de uma das conferências de Matthieu Ricard “Mude o espírito, mude o cérebro”.

O Sr. Ego T1 ep.6 – Malmequer, bem-me-quer…

Amor é uma palavra enorme: cabem lá dentro sentimentos diversos e contraditórios que parecem excluir-se mutuamente. Por amor dá-se a vida, salva-se, acarinha-se, protege-se e (alegadamente) também por amor mata-se, condena-se, rejeita-se e ataca-se. Parece até – e vejam a contradição! – que mais depressa queremos bem a quem mal conhecemos do que àqueles que nos estão ligados por laços mais estreitos. Porque será?