Dignidade da vidaA Dignidade e o Sentido da Vida é um livro sobre os cuidados no final de vida. Este texto resulta do encontro entre a Drª Isabel Neto, médica especializada em cuidados paliativos, Helena-Hermine Aitken, formadora no campo do acompanhamento a terminais, e eu. O livro surgiu no âmbito da associação AMARA, da qual fui presidente e fundadora. Eis um excerto da introdução:

O sofrimento e a morte são talvez os últimos grandes tabus da nossa sociedade vocacionada para o bem-estar e o prazer. E, como sempre, tudo o que é objecto de tabu é mal vivido. Nunca uma sociedade esteve tão mal preparada para lidar com o sofrimento e com a morte, duas das grandes e inevitáveis realidades da vida.Foi talvez uma predisposição pessoal aliada à minha formação budista que me levou a interessar-me pela questão. A experiência de acompanhar alguns amigos nos seus últimos momentos de vida confortou-me na certeza de que é possível partir com serenidade, rodeado de sentimentos positivos e em boas condições. Mas a realidade da maioria das pessoas nem sempre é essa.
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Nos últimos anos as pessoas que têm lidado com doentes terminais têm constatado que os principais motivos dos pedidos de eutanásia se prendem com o sofrimento físico e com a perda da dignidade e do sentido da vida. É essa a razão de ser de toda uma abordagem que inúmeros médicos, profissionais de saúde e voluntários têm desenvolvido nos últimos anos no âmbito dos cuidados paliativos e é também o fio condutor deste pequeno livro escrito a três vozes. Ele pretende transmitir a certeza de que é possível ajudarmo-nos uns aos outros a manter – e, quem sabe sob alguns aspectos, a melhorar – a qualidade de vida, a dignidade e o sentido da nossa existência até ao fim.

Texto da contracapa

A luta pela qualificação dos cuidados paliativos e pela respectiva integração no sistema de saúde não tem sido fácil nem pacífica. Radica, porém, no reconhecimento da própria dignidade de cada pessoa e no seu inalienável direito a viver a vida com qualidade e sem sofrimento até ao fim.

Como escreveu a Dra. Isabel Galriça Neto, “A questão da doença avançada, terminal e da morte é um problema universal, tão universal como os cuidados pré-natais e na infância.” Ou, como dizia o Dr. Eduardo Bruera, Presidente da Associação Internacional de Paliação, “todos nascemos terminalmente enfermos”.

O envelhecimento crescente da população e o aumento preocupante das patologias prolongadas, incuráveis e progressivas, impõem o acolhimento dos cuidados paliativos como um direito do doente enquanto pessoa e não apenas uma faculdade lateral do sistema de saúde.

Maria José Ritta

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