Crie laços calorosos

Paradoxalmente, o desenvolvimento dos meios de comunicação e das redes sociais, o estilo de vida moderno leva-nos a viver mais isolados uns dos outros. Teoricamente, estamos mais próximos do nosso vizinho do lado do que quando vivíamos disseminados em grandes espaços, mas, na prática podemos partilhar vários anos o mesmo prédio sem lhe dizermos bom-dia.

Ser ou ter?

Para muitos de nós ser é ter. A identificação do ego estende-se do “eu” ao “meu” e faz com que dinheiro, casas, carros, gadgets, roupa e uma infinidade de coisas pareçam acrescentar solidez e prestígio ao “eu”. Mas, como a sede de solidificação do ego é inextinguível, ele está sempre em busca de novas identificações e sempre a tentar preencher o vazio existencial a que deu origem.

Sr. Ego T3 ep.1 – O coração fala mais alto

Ouve-se cada vez mais falar de neuro-ciências e das novas descobertas a nível dos efeitos quase milagrosos da meditação. Imagens de monges budistas (por exemplo, Matthieu Ricard e Mingyur Rinpoche) em meditação com as cabeças cobertas de censores já nos são familiares. A neuro plasticidade do cérebro e a possibilidade de alterar as conexões neuronais expressam-se no título de uma das conferências de Matthieu Ricard “Mude o espírito, mude o cérebro”.

O que é importante?

Renúncia é uma palavra que ninguém gosta de ouvir. Cheira assim a coisa fora de moda, a convento, a celibato forçado… Mesmo no contexto budista, sugere a ideia de abandonar tudo, deixar para trás prazeres, amigos, bens e ir enfiar-se num sítio solitário, viver com o mínimo, privar-se de tudo. E para quê?

A natureza da felicidade

Consideremos a natureza da felicidade. A primeira coisa a assinalar é que a felicidade é uma qualidade relativa. Experimentamo-la diferentemente de acordo com as circunstâncias. O que traz bem-estar a uma pessoa pode fazer sofrer outra. Todos nós, em geral, nos sentiríamos muito infelizes se fôssemos condenados à prisão perpétua. Mas um criminoso passível de pena de morte ficaria provavelmente muito contente ao ver a sua pena comutada em prisão perpétua.

O lado bom do mundo

Olhar para o lado bom da vida não significa fechar os olhos às ameaças terroristas ou à crise económica, fazendo de conta que não existem. Olhar para o lado bom da vida é uma opção. É escolher olhar para as pessoas boas e corajosas de que a vida está cheia, para os acontecimentos, descobertas ou iniciativas que trazem o bem e dignificam os seres humanos, dar-lhes importância e privilegiá-los em relação às outros, aqueles que a comunicação social atira cá para fora às centenas, quotidianamente.

A economia da compaixão

O Dr. G. Vankataswamy nasceu em 1918 numa pequena aldeia do Sul da Índia. Formou-se em clínica geral em 1944 e alistou-se no exército como médico. Porém, em 1948 (apenas com 30 anos), teve de se reformar devido a uma artrite reumatóide que lhe deformou os dedos por completo. Essa doença mudou o rumo da sua vida para sempre.