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O sopro do indomado

A beleza. Tão essencial quanto o alimento, a água ou a luz. Talvez ainda mais.

Não necessariamente a beleza que encontramos nos museus ou nas salas de concerto. Não a beleza das palavras bem alinhadas, dos sons, das formas ou dos movimentos — mas o sopro vivo que os atravessa e lhes dá respiração.

A beleza como uma porta para o mistério. Um vislumbre fugaz de vastidão. O estremecer do coração ao tocar o indomado.

Uma beleza que não está contida na arte, na forma ou na cor, mas que pode sussurrar através delas,
lembrando-nos de que a vida não é apenas isto: a estreiteza das pequenas coisas. Não pequenas em tamanho, mas pequenas em grandeza: sentimentos mesquinhos, visões contraídas, posições sectárias, a trivialidade sobre a qual grande parte do nosso mundo é construída.

A beleza é uma lufada de ar fresco, um perfume de liberdade, o oxigénio do coração.

Sem ela, a vida seria insuportável — não por causa do sofrimento (a beleza pode coexistir com o sofrimento), mas pela ausência de esperança.

A beleza diz-nos que, por detrás das aparências, existe uma verdade que não se curva, não cede, não negocia. Uma verdade que permanece livre, como o sopro do indomado de onde tudo nasce.

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