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Não-violência

A não-violência é muitas vezes compreendida como contenção ou como uma recusa heroica de agir. No entanto, no seu sentido mais profundo, a não-violência é a capacidade de agir sem ser a partir do medo, do ódio ou da necessidade de dominar ou de ter a última palavra. É uma ação que nasce da clareza, e não da oposição — um gesto que interrompe a lógica da agressão. Pode assumir a forma de atos históricos que atravessam o tempo, ou de gestos muito simples na nossa própria vida.

Conta-se que uma vez Sitting Bull, em pleno combate, desmontou do cavalo, caminhou entre as linhas opostas e sentou-se para fumar o seu cachimbo. Diz-se que alguns guerreiros se sentaram com ele e que ninguém ficou ferido.

Sentar-se ali, desarmado, foi um ato criativo de não-violência, de uma ousadia impressionante, e totalmente inesperado. A agressão vive da escalada de violência e encontra nela justificação. Seja numa guerra ou numa discussão entre duas pessoas, a não-violência pode surgir como uma palavra, uma pausa ou um gesto que introduz uma ordem completamente diferente — como se, de repente, se começasse a falar outra língua.

Estes atos não são técnicas. Não são estratégias. Surgem quando se deixa de defender a identidade, quando a ação se torna uma resposta e não uma reação.

Talvez não cheguem para pôr fim a uma guerra. Porém, permanecem vivos na memória coletiva porque demonstram que uma resposta diferente é possível — não mais tarde, não de forma idealizada, mas no âmago do confronto. Recordam-nos que a crueldade e a agressão não são omnipotentes e restauram a confiança na bondade fundamental do coração humano.

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