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Compaixão e sanidade

Quando o monge tibetano Palden Gyatso, que passou décadas nas prisões chinesas, foi questionado sobre o que mais o aterrorizava durante a tortura, não falou de dor, nem de morte, nem de desespero. Disse que o seu maior medo era perder a compaixão pelos seus torturadores.

À primeira vista, isto pode soar heroico, inalcançável para pessoas comuns como nós — ainda aprendizes no caminho dos Bodhisattvas — e até um pouco desencorajador. No entanto, para além da grandeza incomparável desta atitude, há aqui uma lição que todos podemos aplicar.

Manter a compaixão não é apenas uma questão de altruísmo; é uma questão de sanidade. Perder a compaixão não teria significado apenas falhar na intenção de bodhisattva. Teria significado ser torturado interiormente, não tanto pelos outros, mas pelo próprio ódio.

A compaixão, neste sentido, não é apenas uma virtude que cultivamos para sermos “boas” pessoas. É uma recusa em ceder à loucura. Uma forma de permanecer livre, mesmo perante a provocação, a injustiça ou a dor.

Vista assim, a compaixão não é apenas um ideal ético. É um acto de autopreservação radical.
E isto é algo que podemos compreender e aplicar na nossa própria vida.

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